Depois de séculos,
finalmente resolvi juntar meus poemas em uma única página. Perdoem o HTML
tosco, mas não sei como fazer página bonitinha e deixei a paciência pra mexer
com essas coisas de informática em alguma folha de papel perdida na Uerj. Sendo
assim, apelei pro bom e velho Word pra fazer essa
página. Talvez algum dia eu melhore isso aqui, colocando uma janelinha pop-uo pra cada poema. Aliás, eu escrevo umas coisas aí que
rimam e não sei se são dignas do nome “Poemas”. :)
No mais, cabem os avisos
de praxe: os textos são de minha autoria e estão devidamente registrados. Podem
ser linkados ou citados, desde que com minha
permissão e dados os devidos créditos.
Em suma: gostou do que
leu? Quer publicar em algum lugar? Ou simplesmente trocar idéias a respeito dos
textos? Então mande e-mail pra djpaty@yahoo.com
Poema Expresso ou Primeira Tentativa de Metapoema
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Esse foi o meu primeiro poema (que coisa mais
redação de 5ª série! :D). Surgiu no dia 16 de junho de 2004 quando voltava do
recital "Uma Noite na Taverna" no SESC de São Gonçalo, ao qual tinha
ido pela primeira vez. O poema tem também ecos das aulas de Linguagem Gráfica
do 1o período da ECO e do que vejo por lá: uma galera
fantástica e talentosa que escreve bem e dá força pra quem está começando a
escrever (sim, isso é com vocês, povo! :P).
Poema Expresso ou Primeira Tentativa de Metapoema
Todos ao
meu redor escrevem poesia
Com muita
maestria, ah como eu queria!
Mas fica a
indagação: o que é poesia?
Pôr
sentimentos no papel por mal traçadas vias
Sentimentos
incompletos, vagos, obscuros
Estão à
flor da pele mas são obtusos
Se recusam a sair, idéias desconexas
Frases
abstratas, em nada concretas
As palavras
fogem, totalmente esquivas
Curvas e
não retas, curtas e discretas
E lá vinha
eu andando pela rua
Pensando em
poesia pela noite escura
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Esse é o primeiro poema da série em homenagem aos Perpétuos,
personagens do "Sandman". Destino foi o primeiro porque os quadrinhos mudaram minha
visão sobre a palavra, o que ela significa e, obviamente, o conceito. Eu já
mencionei que Neil Gaiman é um gênio? :P
Destino
Destino é
que é cego, e não o amor
Amor
enxerga muito além da visão
Pois vê o
que está dentro, puro sentimento
Já Destino
é cego pra podermos ver
Andar em
seu jardim, repleto de caminhos
De
bifurcações, miríade em opções
Nada de
alguém manipulando as cordas
Viver sem
ser títeres o livre-decidir
E com isso
sofrer, mas ainda assim escrever
A mítica
epopéia no livro do vir a ser
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Adoro observar a reação das pessoas ao ler a primeira
estrofe desse poema... :D A idéia surgiu depois de um cochilo no ônibus. Depois
foi só desenvolver, à medida que ia lendo os quadrinhos e conhecendo
melhor a menina Delírio, que subiu *muito* no meu conceito quando enfrentou o
Destino e disse-lhe umas boas verdades. Há também
influência das aulas de Linguagem Gráfica: lembro de ter achado interessante
quando o Evandro falou que a mulher "trazia desordem" ao mundo reto e
masculino.
Delírio
Pessoas de chocolate
copulando loucamente
Borboletas
coloridas vindas dos cantos da mente
Sapos
surgindo do nada, coisa de conto de fada
Balões em
infinitas cores, letras de inusitadas formas
Sorvetes de
bizarros sabores transgridem todas as normas
Parece uma
criança mas é uma mulher
Parece
estar ausente mas se impõe quando quer
Portadora
da desordem que a reta razão desafia
Já se
chamou Deleite mas mudou da noite pro dia
Fronteira
da imaginação, sanidade em seu limiar
Dos que
lidam com as artes todos já estivemos lá
O perigo
desse reino é não querer dele voltar
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Esse
deu um trabalhão e saiu por pura insistência da maninha Desire
que ficou me pentelhando solenemente por ter feito o
poema da gêmea primeiro e esquecido dela. E tanto fez que acabei ficando com
vontade de escrever o dito cujo. Coisas de Desejo, sabem como é... E foi
difícil de fazer porque Desejo é para ser sentido em vez de falado ou
escrito! Apesar disso, tenho a doce ilusão que este modesto poema possa ajudar
as pessoas a entender melhor o que é Desejo. :)
E até hoje não
acredito que tive a desfaçatez de rimar “ambíguo” com “oblíquos”.... :D
Desejo
Intenso,
efêmero e fugaz
Ora aparece
como moça, ora como rapaz
Age com
certa arrogância, faz o que lhe compraz
Também,
como não sê-lo com a força de que é capaz?
Personificação
do enigma, seu reino está em todo lugar
Mas é no
coração onde age e nele faz seu lar
Paixão
imediata, impulso poderoso
Sentimento
que move o mundo, incompreendido e maravilhoso
Lúcida
embriaguez, golpe na sensatez
Fonte de
pranto e riso,
Por excelência ambíguo
Leva à
perdição ou ao paraíso
Por seus
meandros oblíquos
Ao lhe
encontrar no caminho,
Não adianta
ter cuidado
Inútil
resistir ao poder de seu olhar dourado
Nada mais
poderá fazer
Pois já
estará subjugado
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Ah, esse tem uma história legal. Primeiro, a insistência das
maninhas da facul: já que eu tinha começado, então que fizesse um poema pra cada
Perpétuo. O início do poema foi rápido e tranqüilo, mas só consegui terminá-lo
na véspera da prova de Comunicação e Artes, no final de junho. Faz sentido:
tinha que estudar uns textos cabeludos sobre arte contemporânea e não estava
entendendo xongas. Daí pra dona Desespero cravar seu ganchinho e me inspirar foi um pulo... :)
Desespero
Começa
leve, mas logo é intensa aflição
Seu gancho
crava em breve num incauto coração
Reino cheio
de janelas postas a refletir
As faces de
todos aqueles a quem irá possuir
É uma
espécie de renegada
Mantida à
torpe distância
Apenas
Destruição a entende
Em todas as
suas instâncias
Angústia de
não conseguir
Medo do que
está por vir
Sem ter
para onde fugir
Ou como
escolher não sentir
Da página
em branco és rainha
Com as
situações difíceis caminha
Então
pergunto na última linha
Quando irás
me deixar sozinha?
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Ah,
minha personagem favorita de “Sandman”. (Sim, é por isso que
uso brincos e cordões de ankh!) Por quê? Ela é bonita, inteligente, responsável e equilibrada. Manda a real
quando alguém faz besteira, sem meias-palavras. Faz o seu trabalho (que é
bastante difícil) muito bem. E tudo isso sem perder o bom-humor jamais. Não é o
máximo? E foi o único poema da série dos Perpétuos que saiu em primeira pessoa.
Por que será? :)
Morte
O que fazer
diante do inevitável trabalho nada agradável?
Torná-lo
mais suportável levando-o com muita alegria
Trata-se de
labor árduo desde o início dos tempos
E ainda assim
sou vista como sinônimo de sofrimento
Sou
contraponto da vida, sina que a todos aguarda
O que nasce
deve morrer, fato que um dia não tarda
Em vez do
fim de uma era represento o eterno ciclo
Pois todo
fim é um começo como diz o velho mito
Não sou o
triste sujeito de foice e grosso capuz
Sou antes a
bela moça que facilmente seduz
Peço-lhe
que venha comigo quando for chegada a hora
Vais ficar
maravilhado e me seguirás sem demora
Por um dia,
no entanto, sou uma de vocês
Experimento
a mortalidade, um século a cada vez
Impressionada
fico com essa existência fugaz
Que muitos
nessa terra não vivem de forma tenaz
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O
último poema
da série dos Perpétuos, dedicado ao próprio Sandman.
Foi escrito sob o impacto do final da saga de dez edições. Não dá pra contar
muito sem dar spoiler, apenas digo que é algo
realmente intenso. (Aliás, um aviso:
o texto abaixo revela fatos do final de “Sandman”. Portanto,
tenha cuidado!). O poema deu um bocado de trabalho, pois o Dream
não é meu personagem favorito (deve ser porque minha relação com ele é
complicada: dificilmente lembro do que sonho!), mas acho que consegui passar o
recado. Gosto particularmente da primeira estrofe... Não é bem onírica? :)
Sonho
Lorde
escultor do reino do Sonhar
Príncipe
das histórias ainda por inventar
Matéria-prima
que alimenta existências vazias
Ou mentor
de tormentos, noturnas agonias
Cioso dos
deveres como senhor do onírico
Forjou seu
caminho rumo ao desfecho fatídico
Buscou um
substituto para deixar seu legado
Depois de
fazer o sangue da família derramado
Após
estender sua mão à Morte
Nos fazendo
lamentar sua triste sorte
Seu
destino, fruto de sua índole reta
Pois entre
mudar ou morrer fez sua escolha concreta
Com o
coração em chamas de culpa e pesar
A tristeza
além do que podia suportar
Incapaz de
mudar, desistiu de lutar
E para sempre
partiu do reino do Sonhar
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Esse aqui surgiu em um dos
recitais "Uma Noite na Taverna", conversando com o Fabiano - ótimo
poeta, diga-se de passagem! - que estava justamente fazendo um poema sobre
velas inspirado na iluminação do recital em questão. Fiquei com inveja e decidi
fazer um também. Às vezes acho que falta um final nesse poema, mas deixei assim
mesmo. De resto, mais alguém vê uma metáfora pra vida - curta e fugidia - na
chama tremulante da vela?.
A Vela
A vela
acesa
A chama
inflama
Acalma e
clama
Em
ondulação profana
A flama
Aquece e
esquece
E enfim
fenece
Como a vida
acontece
Como assim
lhe apetece
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Vou tentar
ser sucinta dessa vez. Pegue várias aulas de psicologia falando sobre a
"cisão do eu" e mais algumas sessões de análise. Misture tudo isso no
cérebro desta que vos digita, com uma pitadinha de
angústia na alma e... Voilá! Nasce um poema! :)
Dicotomia Existencial
Como
celebrar o novo eu
Se o antigo
ainda espreita e assusta?
Questão que
surge em seu apogeu
Poderosa e
deveras robusta
Enxergar a
mim mesma como outra pessoa
Achar que o
eu passado do agora destoa
Afinal
quantos eus minha alma povoa?
Quantas
vozes em um ser se amontoam?
Passado e
presente, divisão infame!
Pensar
linear conforme o ditame
Aprisiona e
paralisa, triste pitonisa
Libertar-me
é preciso, desse inverso Narciso
Cujo fosco
reflexo não mostra meu ser complexo
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Taí um poema peculiar, bem diferente do que costumo fazer. Saiu
ano passado enquanto estava tentando chegar na casa da Gláucia pra irmos juntas
à Festa dos Calouros da ECO/UFRJ,
cujo tema era Cinema. (A quem interessar possa: a festa era à fantasia, e fui
vestida de Trinity, do “Matrix”)
Saí de casa tarde e peguei um ônibus que seguia caminhos absurdamente
tortuosos. Em vez de ficar xingando Murphy e o mundo,
escrevi isso. E, sim, existe um “Paisagem Urbana 2”,
ainda inacabado.
Paisagem
Urbana I
É noite
O ônibus dá
voltas
Vê-se a
paisagem urbana
Os tons de
cinza, os fálicos arranha-céus
A caótica
favela, a balbúrdia do mercado popular
As ruas semi-desertas
Um misto de
urgência e tristeza no ar
O ônibus dá
voltas
E o tempo
parece acelerar
Estou
atrasada
A
imponência dos prédios públicos exalando poder
O ônibus vai
pela praia
E vejo
fumaça na praça
E o tempo
que rápido passa
Não combina
com a minha pressa
A placa de
"obra a 100 metros" na varanda do 2o andar
Cenário
surrealista que meu pensamento despista
E o ônibus
dá voltas
Num urbano
labirinto
Caminho que
nunca chega
Parece até
infinito
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Esse é um tanto quanto auto-explicativo. Sem grandes mistérios, mostra
um pouco do meu caótico processo criativo. Além de falar da minha
característica particular de andar na rua distraidíssima, pensando em tudo e em
nada ao mesmo tempo. E fazendo poesia, é claro.
Ando Rápido
Ando
rápido, idéias em ebulição
Parte de
mim presta atenção:
Desvia das
pessoas na rua
Cumprimenta conhecidos
E caminha
como quem flutua
Mas outra
parte divaga, sonha acordada
Com zilhões de universos, pensamentos transversos
Juntando
palavras em diáfanos versos
Fincar os
pés no real aflige,
O infame
cotidiano célere inflige
Burocracias
mesquinhas, coisas
comezinhas
Embotando
minha alma que inquieta pulsa
O
consciente limita e o desejo me assusta
Razão e emoção em incessante disputa
Vou teimando
em sentir e entender de saída
A sinuosa
montanha-russa que atende por vida
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Ainda não
considero esse poema 100% pronto, apesar de já tê-lo recitado. Tem alguns
problemas de ritmo, eu acho. Ficou muito tempo parado e o retomei recentemente
depois de reler o que tinha escrito e me assustar. É, eu me assustei com o
texto. Não me perguntem o motivo. Mas gosto dele mesmo assim e por isso está
aqui.
Medida
abstrata pelo homem inventada
Num tolo,
vão intento de ordenar os momentos
Mas se é
imaginado por que nos oprime?
E como o
usamos, por que nos define?
Em sua
existência nos afirmamos
Em um lugar
no mundo nos colocamos
Infinito e
eterno
Maldito e
hodierno
À
humanidade transcende
Tão sábia
criação
Que de nós
não depende
Do linear e
concreto tempo externo
Ao abstrato
e discreto tempo interior
Aludindo ao
tempo mítico em silente louvor
Entre dois
tempos, portanto
A alma
bifurca
Cindida e
perdida
Mas a alma
do artista
Esta,
esperta não hesita
E faz o seu
tempo
Em
delirante medida